Ex-chefe de engenharia da Renault, Pat Symonds faltou à reunião do Conselho Mundial da FIA, realizada em Paris, na segunda-feira, que julgou a maracutaia envolvendo a equipe francesa no Grande Prêmio de Cingapura de 2008. Tudo o que fez foi enviar uma carta à entidade presidida por Max Mosley, lida durante o evento, onde assumia arrependimento e vergonha pelo ocorrido na prova no país asiático. E alegou que a ideia do acidente forjado, para beneficiar a Fernando Alonso, partiu do outro piloto da Renault à época: Nelsinho Piquet.
Não me cabe afirmar se tal acusação é verídica ou não. Mas é inquestionável que um trecho dessa carta de Symonds me chamou a atenção. “Ele (Nelsinho) veio a mim, e no momento acreditei que era algo que ele queria fazer pelo bem do time”.
Reitero. Não sabemos ainda qual é a realidade. Mas se tudo ocorreu conforme tal relato, Nelsinho fez algo que não espera de um piloto profissional; mas Symonds, especialmente ele, foi instintivo e incorreto. Colocou lenha na fogueira. Deixou-se levar unicamente pela possibilidade de Fernando Alonso conquistar um resultado espetacular na primeira prova noturna da Fórmula-1.
Em uma atitude sensata, mr. Symonds poderia escapar desse bafafá. Sem estardalhaços. Bastaria mostrar aversão a proposta. Pedir apenas para Nelsinho acelerar. Até apóia-lo: “Acelera, porque seu lugar é na pista”. Em resumo, como Pilatos, lavar as mãos. E se tal manobra ocorresse, Pat poderia, no popular, “tirar o dele da reta”. Afinal, seria conchavo restrito ao piloto e outro dirigente – muito provavelmente um ragazzo de óculos azuis.
Por ceder à tentação, Symonds levou suspensão de cinco anos da Fórmula-1. Contudo, não estranhemos se tal pena for revisada daqui algum tempo. Alheio à reunião de seu Conselho Mundial, a FIA certamente continuará investigações sobre o episódio Renault/Cingapura. Mas, claro, tudo de modo sorrateiro, longe dos holofotes, para não arranhar a imagem do certame. E o gabinete de Max Mosley pode ser destino de mais uma correspondência de Symonds, quando esse decidir voltar a escrever sobre o assunto.








